O fenômeno climático El Niño pode provocar impactos significativos na saúde da população e na produção de alimentos em diferentes regiões do planeta até 2027. Uma projeção do Climate Impact Lab, iniciativa de pesquisa ligada à Universidade de Chicago, estima que o calor associado ao fenômeno poderá resultar em aproximadamente 857,4 mil mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e março de 2027.
Desse total, cerca de 372,9 mil mortes são projetadas para os seis meses seguintes ao período já observado pelo levantamento. No Brasil, a estimativa chega a 26,7 mil óbitos adicionais ao longo dos dez meses analisados. Os números são projeções estatísticas de mortalidade relacionada ao calor, e não registros de mortes já confirmadas. (Acesse o levantamento do Climate Impact Lab).
Calor extremo representa risco à saúde
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica padrões de circulação atmosférica e pode influenciar as temperaturas e o regime de chuvas em diferentes partes do mundo.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o episódio atual está estabelecido e deve se intensificar nos próximos meses, com possibilidade de persistir até fevereiro de 2027. A organização alerta para mudanças nos padrões de chuva e temperatura, além de riscos associados a ondas de calor, secas e inundações. As altas temperaturas representam riscos especialmente para idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol. A exposição prolongada ao calor pode provocar desidratação, exaustão térmica e outras complicações de saúde.
Produção agrícola pode pressionar preços
Além dos efeitos sobre a saúde, o fenômeno também preocupa pelos impactos na agricultura. Alterações no volume e na distribuição das chuvas podem prejudicar lavouras, reduzir a produtividade e comprometer o abastecimento de determinados alimentos. Segundo a reportagem do ClimaInfo, publicada em 4 de novembro, projeções do Banco Mundial indicam que os preços dos alimentos podem aumentar até 18% em 2027 em decorrência dos impactos climáticos e das pressões sobre a produção agrícola.
Entre os produtos que exigem atenção estão arroz e café. O arroz pode ser afetado pela redução das chuvas em regiões produtoras da Ásia. Outras culturas, como milho, feijão e trigo, também estão expostas a alterações nos padrões de precipitação em diferentes áreas do planeta. Os efeitos não se limitam aos locais diretamente atingidos. Quando a produção diminui em regiões exportadoras, as mudanças na oferta podem repercutir no comércio internacional e nos preços pagos pelos consumidores em outros países.
Efeitos também podem atingir o Brasil
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região. No Sul, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas e ao risco de episódios de precipitação intensa. Em outras partes do país, pode favorecer períodos de estiagem e temperaturas mais elevadas. Para o Rio Grande do Sul, o acompanhamento das condições climáticas é importante devido à influência que as alterações no regime de chuvas podem exercer sobre a agricultura, os recursos hídricos e a ocorrência de eventos extremos. Entretanto, os impactos não são iguais em todos os municípios e dependem também de outros fatores meteorológicos.
A OMM ressalta que a intensidade do El Niño, isoladamente, não determina a gravidade dos impactos em cada localidade. As condições regionais e a atuação de outros sistemas climáticos também influenciam os resultados. Por isso, a organização recomenda acompanhar as previsões e os alertas emitidos pelos serviços meteorológicos nacionais.
As projeções reforçam a importância do monitoramento climático e de medidas de prevenção, tanto na saúde pública quanto no planejamento agrícola. Embora os números apresentados sejam estimativas, eles indicam a dimensão dos riscos associados ao fenômeno nos próximos meses.
Fontes: ClimaInfo, Climate Impact Lab e Organização Meteorológica Mundial (OMM).


