Terça-feira, 8 de setembro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

Polícia investiga médico de Porto Alegre por crimes sexuais contra 22 mulheres

Pelo menos 22 mulheres já apresentaram denúncia por violência sexual contra um cirurgião plástico de Porto Alegre. O médico é acusado de estupro de vulnerável, assédio sexual e importunação sexual e há indícios de que praticava os crimes há mais de 10 anos. Na manhã desta terça-feira (13), a Polícia Civil realizou operação de busca e Read More.

Polícia investiga médico de Porto Alegre por crimes sexuais contra 22 mulheres

Pelo menos 22 mulheres já apresentaram denúncia por violência sexual contra um cirurgião plástico de Porto Alegre. O médico é acusado de estupro de vulnerável, assédio sexual e importunação sexual e há indícios de que praticava os crimes há mais de 10 anos. Na manhã desta terça-feira (13), a Polícia Civil realizou operação de busca e apreensão na clínica e na residência do cirurgião. A delegada Jeiselaure Rocha de Souza solicitou a prisão preventiva do suspeito – negada pelo Judiciário – e afirma que há fortes indícios das práticas. “Todas as vítimas relataram a mesma conduta, elas marcavam uma consulta para realizar procedimento estético e sofriam violência sexual”.

De acordo com as investigações, o médico importunava sexualmente as vítimas, oferecia às pacientes a possibilidade de realização de procedimentos estéticos mediante realização de sexo, esfregava a genitália nas mulheres durante o atendimento, além de tocar em suas partes íntimas sem consentimento. Em alguns casos, o cirurgião teria estuprado pacientes sedadas. Uma ex-funcionária da clínica relatou à polícia que era coagida a filmar as práticas sexuais e a comprar preservativos para o médico, além de também sofrer assédio sexual. Celulares e itens de uso pessoal foram aprendidos para realização de comparação genética entre o material colhido no exame de corpo de delito das vítimas de estupro. De acordo com a delegada, a operação foi realizada a partir das denúncias de 12 mulheres e, ao longo do dia, com a repercussão da ação, outras 10 mulheres procuraram a polícia para representar contra o médico.

Publicidade

A advogada de uma das vítimas, Gabriela Souza, afirma que a cliente não conhecia as demais denunciantes, mas ao ouvir os outros relatos percebeu que as situações eram semelhantes. “Ele sugeriu que ela pagasse a cirurgia com sexo. Era uma consulta para uma prótese mamária e ele disse que ela precisava fazer a consulta apenas de calcinha. Ele também fez com que ela sentasse em cima dele”, conta Gabriela. Os fatos ocorreram há dois anos e, conforme a advogada, foram denunciados à polícia e ao Conselho Regional de Medicina (Cremers).

O vice-presidente do Cremers Eduardo Neubarth Trindade informou que a entidade abriu uma sindicância para apurar as denúncias. Como o Código de Processo Ético-profissional do Conselho da entidade prevê que as sindicâncias devem ocorrer em sigilo, o representante não confirmou a existência de investigações anteriores relacionadas às denúncias de crimes sexuais, mas prometeu celeridade na apuração. “Vamos solicitar acesso a todas as informações e já realizamos a abertura de investigação”. De acordo com Trindade, não está descartada uma interdição cautelar do registro profissional durante a investigação e, em caso de condenação, o profissional pode ter o registro cassado.