O aquecimento global poderá chegar a 2,8°C acima dos níveis pré-industriais até o fim do século caso sejam mantidas as políticas climáticas atuais. O alerta está no relatório sobre a lacuna de emissões de 2026, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) nesta quarta-feira, 21 de outubro. O documento aponta que os compromissos assumidos pelos países ainda não são suficientes para limitar o avanço das mudanças climáticas.
O relatório também indica que ultrapassar o limite de 1,5°C estabelecido como referência pelo Acordo de Paris é praticamente inevitável nos próximos anos. Esse patamar representa o aumento da temperatura média global em relação ao período pré-industrial e foi definido para reduzir os riscos mais graves associados às mudanças climáticas. Mesmo com medidas adicionais, o planeta deverá superar temporariamente esse limite.
Impactos no Brasil
No Brasil, o aumento da temperatura global representa riscos para diferentes regiões e setores. A intensificação de ondas de calor, secas prolongadas e chuvas extremas pode afetar a produção agrícola, o abastecimento de água, a geração de energia e a saúde da população. A dimensão dos impactos varia conforme a região, as condições ambientais e a capacidade de prevenção e adaptação.
A Amazônia também está entre os ecossistemas vulneráveis ao avanço das mudanças climáticas. A combinação entre temperaturas mais elevadas, períodos de seca e desmatamento aumenta a pressão sobre a floresta e pode comprometer sua capacidade de armazenar carbono. No Pantanal e em outras áreas do país, a estiagem e o calor também podem favorecer incêndios florestais.
Emissões precisam cair nas próximas décadas
O PNUMA aponta que, para limitar o aquecimento a 1,5°C, as emissões globais de gases de efeito estufa precisam ser reduzidas em 45% até 2035, em comparação com os níveis de 2019. O relatório destaca que as metas climáticas atuais estão distantes do necessário e que a redução do uso de combustíveis fósseis, a expansão das energias renováveis e o combate ao desmatamento são medidas importantes para diminuir as emissões.
Para o Brasil, a preservação das florestas tem papel importante no enfrentamento da crise climática. A Amazônia, o Cerrado e outros biomas contribuem para o armazenamento de carbono, enquanto o desmatamento e as queimadas liberam gases de efeito estufa e reduzem a capacidade dos ecossistemas de absorver carbono da atmosfera.
Ainda há possibilidade de reduzir os impactos
Apesar do cenário preocupante, o relatório da ONU aponta que o aumento da temperatura pode ser limitado com medidas mais ambiciosas. Mesmo que o mundo ultrapasse temporariamente o limite de 1,5°C, reduções rápidas nas emissões podem diminuir a intensidade e a duração desse período, além de possibilitar que a temperatura retorne a esse patamar até o fim do século em cenários mais rigorosos.
O documento reforça que as decisões tomadas nos próximos anos serão determinantes para o cenário climático das próximas décadas. Para o Brasil, isso envolve tanto reduzir as emissões e combater o desmatamento quanto ampliar a preparação de cidades e comunidades para enfrentar enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos.
Fontes: G1; Nações Unidas; Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).




