Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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MPRS se manifesta sobre série da Netflix

O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, considerando o interesse público e a realidade dos fatos envolvendo um caso ainda sub judice, emite nota de esclarecimento sobre a série intitulada “Todo dia a mesma noite”, produzida e veiculada pela empresa Netflix. Confira a nota na íntegra: “O Ministério Público do Estado do Read More.

MPRS se manifesta sobre série da Netflix

O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, considerando o interesse público e a realidade dos fatos envolvendo um caso ainda sub judice, emite nota de esclarecimento sobre a série intitulada “Todo dia a mesma noite”, produzida e veiculada pela empresa Netflix.

Confira a nota na íntegra:

O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, considerando o interesse

público e a realidade dos fatos envolvendo um caso ainda sub judice, vem a público

manifestar-se sobre a série intitulada “Todo dia a mesma noite”, produzida e veiculada

pela empresa Netflix.

Mesmo cientes de que se trata de uma ficção, é nossa obrigação, como

instituição pública, fazer alguns esclarecimentos. Ao apresentar tanto personagens

quanto o Sistema de Justiça, seus ritos e regramentos de forma caricaturada em

muitos momentos, a obra contribui para a desinformação e para a criação de uma

memória coletiva contaminada por versões e por fatos que não ocorreram como

apresentados. Além disso, a série explora, para o entretenimento, a dor de centenas

de famílias, ainda enlutadas, que aguardam, em longa espera, a punição dos culpados.

E o mais grave, a produção do canal de streaming expõe uma versão para a opinião

pública de um caso ainda em tramitação, que poderá ser objeto de novo júri popular,

possibilidade que a instituição luta com muito empenho para afastar.

O MPRS vem travando uma longa e árdua batalha para garantir a pronúncia dos

quatro réus – responsáveis diretamente pelos homicídios –, a posterior condenação,

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ocorrida em julgamento realizado em dezembro de 2021 e, atualmente, a reversão da

anulação do júri por meio de recursos aos Tribunais Superiores.

Vale lembrar que, desde o início, a instituição vem atuando não só para a

condenação, mas para garantir a prisão dos culpados. Além de presos

preventivamente por aproximadamente três meses em 2013, foi a partir de recurso do

MPRS apresentado ao Supremo Tribunal Federal que os quatro réus voltaram para

prisão em 2022 e lá ficaram por cerca de oito meses, cumprindo pena resultante de

suas condenações pelo Tribunal do Júri, até a soltura determinada pela Justiça a partir

da anulação do julgamento.

Também oportuno destacar que, além dos denunciados por homicídio, outras 47

pessoas foram alvo de ações do Ministério Público, na medida de suas

responsabilidades, nas áreas criminal e cível, na Justiça comum e militar.

Concluímos manifestando nossa solidariedade aos familiares e sobreviventes da

tragédia e reiteramos nossa disposição e empenho para seguir lutando, o quanto for

necessário, para que a justiça seja feita”