Iniciarei esta coluna usando como epífrase, a frase inicial do livro “21 lições para o século XXI” (2018), do best-seller historiador Yuval Noah Harari:
“Num mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder. Não posso dar às pessoas alimento ou roupas — mas posso tentar oferecer alguma clareza. Se isso capacitar ao menos mais um punhado de pessoas a participar do debate sobre o futuro de nossa espécie, terei realizado minha tarefa”.
Sendo assim, a inspiração para redigir est coluna almeja ajudar ao público, seja acadêmico ou pessoas leigas entender algumas das principais questões da atualidade. Como sabemos, a nossa sociedade atual enfrenta revoluções sem precedentes, todas as nossas antigas narrativas estão ruindo e nenhuma narrativa nova surgiu até agora para substituí-las. Daí, importância de nos preparar para esse turbilhão de mudanças.
Hoje devemos nos questionar como sociedade, de que forma iremos preparar os nossos filhos para um mundo repleto de transformações sem precedentes e de tantas incertezas, muitas delas tão radicais. Uma criança nascido em 2026, quando atingir a maioridade por volta de 2050, o mundo estará muito diferente. Por isso: o que deveríamos ensinar a nossas crianças para ajudar na sobrevivência e, de alguma forma, se desenvolver como individuo e como integrante da sociedade do século XXI?. Questionar quais serão as habilidades que as crianças precisarão para conseguir um emprego, compreender o que está acontecendo a sua volta e percorrer os caminhos que a vida oferece.
Tudo isso não é uma tarefa fácil e simples: não tem como delegar tudo isso apenas para as famílias ou para as escolas. Precisamos criar pensamento crítico baseado nas ciências sociais e humanas, de modo a explicar a estrutura e funcionamento da sociedade capitalista, com seus processos sociais, políticos, econômicos e culturais muito diferentes às formas anteriores.
Nas próximas colunas, estarei expondo ideias do estado atual do mundo como forma de relacionar alguns temas com o cotidiano das pessoas. Sendo assim, convido a audiência da rádio comunitária de FW para participar dos processos socioeconômicos e ambientais mais amplos, tentando ‘oferecer alguma clareza’ sobre os grandes desafios que enfrenta a humanidade. Isso poderá nos ajudar para assumir responsabilidades, tanto individual como nas ações coletivas.
Finalmente, me remito a Yuval Harari quando ele usa a sentença latina Ignoramus: “nós não sabemos tudo”. Devemos aceitar que as coisas que achamos que sabemos podem se mostrar equivocadas na medida em que adquirimos mais conhecimento. Quando não temos respostas para muitas perguntas, damos à nossa ignorância o grandioso nome de Deus. A história moderna demonstrou que uma sociedade de pessoas corajosas dispostas a admitir sua ignorância e fazer perguntas difíceis geralmente não é apenas mais próspera como também mais pacífica do que sociedades nas quais todos têm de aceitar uma única resposta sem questionar. Pessoas temerosas de perder sua verdade são propensas a ser mais violentas do que pessoas acostumadas a olhar para o mundo de diferentes pontos de vista. Yuval Harari nos lembra que, perguntas às quais você não é capaz de responder são geralmente muito melhores para você do que respostas que você não é capaz de questionar.
Muito obrigado e até a próxima.




