Terça-feira, 8 de setembro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

Estudo aponta piora da saúde mental das crianças com uso excessivo de tela

Um estudo canadense encontrou uma associação entre níveis excessivos de uso de tela com a piora dos sintomas de saúde mental em crianças durante a pandemia. Publicada pela JAMA (Journal of the American Medical Association) Network, a pesquisa defende que as intervenções dos formuladores de políticas públicas são “urgentemente necessárias” para promover a utilização “saudável” Read More.

Estudo aponta piora da saúde mental das crianças com uso excessivo de tela

Um estudo canadense encontrou uma associação entre níveis excessivos de uso de tela com a piora dos sintomas de saúde mental em crianças durante a pandemia. Publicada pela JAMA (Journal of the American Medical Association) Network, a pesquisa defende que as intervenções dos formuladores de políticas públicas são “urgentemente necessárias” para promover a utilização “saudável” de determinados dispositivos.

“Também é importante garantir que as crianças tenham acesso a recursos adicionais de saúde mental e apoio social e fornecer aos professores e terapeutas treinamento sobre o uso problemático da mídia para ajudar as crianças a se recuperarem do isolamento e do estresse da pandemia”, pontua o estudo. “Embora pais e cuidadores individuais possam adotar estratégias de redução de danos para promover o uso saudável da tela em crianças, dada a situação única e desafiadora da pandemia de covid-19, acreditamos que as intervenções dependerão fortemente de mudanças políticas sistêmicas.”

“Pensávamos que o tempo gasto em videochamadas estaria associado a menos sintomas negativos de saúde mental, mas percebemos que as videochamadas não conferem qualquer tipo de proteção”, diz uma das pesquisadoras, Catherine Birken, ao site Público. “Não estávamos à espera da associação generalizada entre o aumento do tempo de tela e sintomas de ansiedade, depressão, desatenção e hiperatividade.”

Como foi feito o estudo

O estudo analisou um total de 2.026 crianças, com 6.648 observações realizadas entre maio de 2020 e abril de 2021. Aproximadamente 52,5% (785) das crianças já eram acompanhadas devido a problemas de saúde mental e quase 16% tinham perturbações do espectro do autismo. Os pais foram convidados a preencher questionários, em momentos distintos, sobre os comportamentos e sintomas de saúde mental de seus filhos, bem como seu tempo gasto sendo de exposição à TV e mídia digital, videogames, aprendizagem eletrônica e bate-papo por vídeo.

Publicidade

Entre as crianças mais jovens, que tinham em média 5,9 anos, o maior tempo de TV ou mídia digital foi associado a mais problemas de conduta, além de hiperatividade e desatenção. Em crianças mais velhas e jovens, que tinham em média 11,3 anos, o uso excessivo de tela resultou em maior depressão, ansiedade e desatenção. Mais tempo de videogame também foi associado ao aumento da depressão, irritabilidade, desatenção e hiperatividade.

Segundo a pesquisa, níveis mais elevados de tempo de aprendizagem eletrônica também foram associados a maior depressão e ansiedade.

Limite de duas horas

Além do elevado uso da tela e do isolamento social durante a pandemia, os autores dizem que o agravamento da saúde mental pode estar relacionado a mudanças no sono, falta de exercícios físicos e de outras atividades sociais. Bullying online, notícias estressantes e anúncios prejudiciais também podem estar contribuindo para o problema.

Os pesquisadores lembram que a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Pediátrica Canadense recomendam não mais do que uma a duas horas de uso de tela por dia para crianças.

*Sul21