Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Em alusão ao Dia Mundial da Reciclagem, visita técnica demonstra como resíduos podem gerar valor, inovação e preservação ambiental

Projeto de aluno da UFSM/FW transforma vidro em recurso econômico Nos aproximamos do Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio. Uma data estabelecida pela Unesco para sensibilizar a sociedade sobre a importância da gestão adequada de resíduos e da Economia Circular. Na semana que marca essa importante efeméride, os alunos do Campus da Read More.

Em alusão ao Dia Mundial da Reciclagem, visita técnica demonstra como resíduos podem gerar valor, inovação e preservação ambiental

Projeto de aluno da UFSM/FW transforma vidro em recurso econômico

Nos aproximamos do Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio. Uma data estabelecida pela Unesco para sensibilizar a sociedade sobre a importância da gestão adequada de resíduos e da Economia Circular. Na semana que marca essa importante

efeméride, os alunos do Campus da UFSM em Frederico Westphalen (UFSM/FW) conheceram na prática o funcionamento de um projeto de logística reversa.

Estudantes dos cursos de Agronomia e de Engenharia Ambiental realizaram uma saída de campo para acompanhar o trabalho da empresa de Gestão Integrada de Resíduos e Águas Residuais – GIRAR, em Frederico Westphalen. Idealizada em setembro de 2025 pelo

também aluno do curso da área ambiental, Lindomar André Zimmermann, a iniciativa trabalha com a coleta de vidros e a transformação do material, agregando valor à cadeia produtiva e mitigando os danos ambientais.

Ciclo infinito

Ao apresentar o projeto, Zimmermann falou sobre a capacidade de reciclagem praticamente infinita do vidro, devido ao seu alto poder de fusão. Segundo demonstrou, resíduos reciclados e triturados (conhecidos no setor como cacos ou cullet) são versáteis e podem

ser transformados em diversos materiais funcionais e decorativos, reduzindo a necessidade de matéria-prima virgem e o impacto ambiental.

O empreendedor apresentou exemplos concretos de aplicação do material reciclado, para além da fabricação de novos potes e garrafas:

● Concreto e argamassa: vidro moído pode substituir areia na produção de alvenaria, vigas, lajes e calçadas.

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● Asfalto: pode ser utilizado na mistura asfáltica para pavimentação de estradas e como tinta refletiva para sinalização de estradas, como em faixas de pedestres e lombadas, por exemplo.

● Decoração e arte: pode ser usado em jardins, vasos de plantas, para criar obras de arte, vasos e mosaicos.

Além dos exemplos apresentados, a areia do vidro reciclado serve para combater a erosão costeira, pois ela é segura e não corta, e o vidro triturado é mais eficaz que a sílica na filtragem de água de piscinas, pois não acumula bactérias. Ainda serve como isolamento térmico e acústico e pode ser reutilizado na fabricação de porcelanatos e cerâmicas.

Dificuldades

Durante a visita, os alunos ainda puderam conhecer de perto as dificuldades do mercado empreendedor após a saída da universidade. Conforme o empresário, os processos burocráticos foram o primeiro desafio enfrentado. Depois, a falta de apoio dos municípios na

entrega dos resíduos e a ausência da coleta seletiva.

Outro problema, indica o sócio da GIRAR, está associado ao descarte inadequado do vidro pela população. Há bitucas de cigarro dentro de garrafas, potes com gordura e material orgânico misturado aos recicláveis.

Visão de futuro

A ideia de empreender surgiu durante a graduação, quando Zimmermann percebeu as dificuldades de acessar o mercado de trabalho formal na região e o potencial da Economia Circular do vidro. Sonhador, ele detém uma visão empreendedora que pretende gerar

emprego e renda na região.

Segundo pesquisa de mercado do empreendedor, a estimativa é que os 31 municípios integrantes do Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos, da região do Noroeste gaúcho, recebam 500 toneladas por ano somente de vidros descartados e hoje destinados a terceiros. O material, após triturado, valoriza cerca de cem vezes. Enquanto a embalagem descartada é vendida por cerca de 18 centavos o quilo, o valor do quilo processado chega a R$ 21, explicou. Se tivesse acesso à metade desses materiais descartados, estima que sua empresa poderia gerar, pelo menos, mais dez empregos diretos.

Sua proposta de sustentabilidade vai além das fronteiras. Detentor de uma ideia inovadora, o empresário pretende criar uma ferramenta de “crédito de vidro”, similar aos projetos de Crédito de Carbono. O conceito, explica, é fazer com que o descarte de vidros oriundo de

grandes geradores permita compensações ambientais.

Importância de atividades fora da sala de aula

Para os alunos, comenta o professor Fernando Panno, que organizou a visita ao local, esta é uma oportunidade para eles conhecerem os problemas e as soluções na prática. “Criar esses momentos de experiência, é ver como o mercado se comporta, quais são os desafios

e as alternativas que os empreendedores têm para se manter no mercado”, explica. Além disso, pontua o docente do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais, “o objetivo é tirar os estudantes da teoria e colocar em confronto com a prática, para que tirem

proveito desses momentos para suas decisões futuras”.

Realidade local, plano global

A reciclagem é um dos pilares centrais para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU [https://brasil.un.org/pt-br/sdgs].

Trata-se de um mecanismo que atua na conversão direta de resíduos em matéria-prima, viabilizando a economia circular e preservando a integridade dos ecossistemas. O reaproveitamento dos resíduos é fundamental para o cumprimento dos objetivos 11 e 12 da

Agenda, mas impacta de maneira positiva em diferentes outras metas estabelecidas. Nesse sentido, o professor Panno explica que Zimmermann tem um papel de suma importância. “Talvez nem ele saiba o quanto, mas se olharmos os objetivos 11 e 12 da Agenda, o primeiro é tornar as cidades mais limpas”, aponta. “Esse o grande desafio que ele tem. É por isso que ele busca tanto parcerias quanto aberturas, porque sabe que tem condições de eliminar, principalmente, o vidro das ruas, para que tenha um destino mais adequado e gere novos produtos e novos valores, que é o princípio da economia circular”, complementa.

Além disso, o descarte, a coleta e o destino de resíduos de forma adequada se enquadram na principal estratégia do Governo Federal para transitar do modelo linear extrair-produzir-descartar para um sistema circular, dentro do Plano Nacional de Economia Circular. O

instrumento, que é focado em regeneração, redução de resíduos e máxima circulação de materiais, “acompanha a tendência global de repensar o crescimento econômico com foco na sustentabilidade”, explica o site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e

Serviços . “O documento, que entrou em vigor em 2025, apresenta 18 macro-objetivos e 71 ações para implementar a circularidade na economia brasileira nos próximos 10 anos”, informa.

Texto: Cristina Guerini

UFSM/FW

Jornalista e Produtora Cultural