Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Decênio decisivo

Para o senso comum de muitas pessoas, a destruição do meio ambiente forma parte do preço a pagar pelo crescimento econômico que cria prosperidade para todos

O Rio Grande do sul, em especial algumas cidades do norte do estado, tem registrado temporais com excesso de chuvas e granizo, deixando um lastro de destruição e sofrimento. Contudo, isso parece que é uma “amostra grátis” do que teremos nos próximos meses/anos em decorrência do ‘El Niño, fenômeno natural cíclico, mas que será uma das mais significativas dos registros recentes, por causa do aquecimento global acelerado que apresenta o planeta Terra.

Hoje quero compartilhar convosco algumas ideias para considerar nas próximas eleições de Presidente, Governador, do Congresso e das Assembleias. Tanto as fortes chuvas acompanhadas de vento e granizo causam destruição de patrimônio e geram sofrimento às pessoas, em menor ou maior grau, dependendo da vulnerabilidade social em que se encontram as famílias. Estes problemas decorrentes de eventos extremos do clima afetam mais famílias ou pessoas pobres: quando ocorre uma catástrofe, o pobre sempre sofre mais que os ricos, mesmo que sejam os ricos os causadores da tragédia.

Hoje vivenciamos uma Poli crises com (i) a aniquilação da biodiversidade; (ii) a emergência climática; (iii) os níveis pandêmicos de adoecimento (físico e mental) e de mortes prematuras causados pela poluição químico-industrial; e (iv) os níveis aberrantes e crescentes de desigualdade, causa maior do agravamento dos três primeiros. Por isso, é urgente uma redução radical e emergencial das diversas desigualdades entre os membros da espécie humana. A redução das desigualdades continuaria sendo prioritária, mesmo sem as crises ambientais contemporâneas. Ocorre que, com a aceleração recente dessas crises, essa luta passa a ser ainda mais determinante, pois não há chance alguma de mitigá-las com o agravamento das desigualdades socioeconômicas.

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Para o senso comum de muitas pessoas, a destruição do meio ambiente forma parte do preço a pagar pelo crescimento econômico que cria prosperidade para todos. Acontece que a curva de relação custo ambiental/benefício econômico do capitalismo vai-se tornando impagável não já para a próxima geração, mas para geração de crianças e jovens de nossos dias.

A sociedade atual vive em um tipo de ‘alucinação negativa’. Explico: uma alucinação é a percepção de algo que não existe; ocorre quando o indivíduo tem a convicção de que está vendo, sentindo e/ou ouvindo coisas que, na realidade, não estão lá. A sociedade está vivenciando os impactos da emergência e continuamos negando aberta o velada: pouco ou nada estamos fazendo para evitar estes problemas; ainda, estamos cômodos no sistema capitalista que temos, mas até quando e que preço pagaremos por isso?

Sobre a mudança do clima, os cientistas têm nos contado há décadas. Muitos líderes (no Brasil e no mundo) se recusam a ouvir à ciência. Lembrando que cientistas não são ‘futuristas’ que podem adivinhar o que sucederá nos próximos dias ou anos. A Ciência pode explicar o que existe no mundo, como as coisas funcionam e o que poderia haver no futuro. Os cientistas não são tendenciosos por alarmismo, mas, ao contrário, por privilegiar estimativas cautelosas (cautela como errar ao optar por dar relevo a previsões menos alarmantes, também chamado de “errar pelo viés do menor drama”). O historiador Yuval Noah Harari nos lembra de que: (1) A crise climática é REAL, é puramente científica. Cientistas pesquisam e nos comunicam a situação do clima, o que está acontecendo e o que pode suceder futuramente; e (2) A questão do QUE FAZER a respeito [da crise climática] será definida por políticos e seus eleitores, não depende de especialistas. Buscam-se alternativas, soluções para enfrentar (ou não) os problemas; isso dependerá da vontade política e que os eleitores façam suas escolhas em alternativas que possam mitigar ou diminuir a pressão sobre a natureza, para não geram sofrimentos e perdas econômicas.

Daí, a necessidade do engajamento político nas próximas eleições: escolha políticos comprometidos com a causa ambiental e climática. E não só isso, escolha políticos que deixem claro em seus planos de gestão como farão isso!. Não só falar: tem que mostrar isso mediante argumentos científicos. Se você continuar apoiando e escolhendo políticos, que negam a emergência climática seja de forma aberta ou de forma velada, você poderá ser cúmplice dos próximos eventos climáticos.

Muito obrigado e até a próxima.