O Comitê de Supervisão da Meta identificou falhas recorrentes na aplicação das regras de moderação de conteúdo durante períodos eleitorais e cobrou mais transparência da empresa. A avaliação, divulgada na terça-feira (20), cita o cenário das eleições presidenciais brasileiras e restrições aplicadas às contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL). O colegiado, que supervisiona as plataformas do grupo, incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp, apontou dois tipos de problemas: a aplicação excessivamente rigorosa das regras, que pode restringir manifestações políticas legítimas, e a aplicação insuficiente das políticas de moderação, que pode comprometer a integridade eleitoral.
No caso brasileiro, o comitê considerou que as políticas antifraude foram aplicadas de maneira excessivamente rigorosa às contas de anúncios de Lula. Segundo o órgão, o episódio deveria ter sido encaminhado a uma equipe interna de especialistas para análise. A conta de anúncios utilizada pela campanha do presidente foi desativada em 23 de setembro, o que gerou acusações de interferência eleitoral. A Meta afirmou que houve um erro e que o perfil ficou fora do ar por pouco mais de uma hora, conforme informações da Radioagência Nacional.
Em manifestação enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Meta negou favorecer qualquer uma das candidaturas. A empresa declarou que os conteúdos relacionados aos dois candidatos recebem tratamento igualitário e não discriminatório. A resposta foi apresentada após o ministro Marco Aurélio Bellizze solicitar esclarecimentos sobre as medidas adotadas para garantir condições equivalentes de distribuição de publicações políticas e veiculação de anúncios.
O questionamento do TSE ocorreu após uma solicitação da coligação do presidente Lula, que apontou possível favorecimento a publicações de Flávio Bolsonaro. O caso ampliou o debate sobre a atuação das plataformas digitais na disputa eleitoral e sobre a necessidade de regras claras para a circulação de conteúdos políticos.
O Comitê de Supervisão também cobrou a criação de indicadores públicos que permitam avaliar a eficácia das medidas de proteção eleitoral. Segundo o colegiado, a Meta divulga dados gerais, como o número de anúncios armazenados e de contas removidas, mas ainda não apresenta informações suficientes para medir de forma transparente os resultados e as falhas de suas políticas. A manifestação também menciona problemas relacionados à moderação de conteúdo nos Estados Unidos, indicando que as dificuldades não se limitam ao Brasil. Para o órgão, a empresa precisa aprimorar seus procedimentos para garantir maior consistência na aplicação das regras e proteger o debate político durante períodos eleitorais.
Fontes: Agência Brasil; Radioagência Nacional; Agência Brasil — TSE cobra esclarecimentos da Meta.




