A preparação dos municípios brasileiros para enfrentar eventos climáticos extremos ainda apresenta dificuldades. Uma pesquisa realizada no âmbito do projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), aponta que 30% dos municípios não possuem planos de contingência para situações como enchentes, secas e tempestades. O levantamento também identificou que 37% das cidades não contam com sistemas próprios de alerta.
O estudo considerou respostas de 2.289 municípios, o equivalente a 41% das 5.570 cidades brasileiras. Entre os problemas identificados estão a falta de profissionais nas equipes de Defesa Civil, limitações orçamentárias e ausência de mapeamento de áreas de risco. A pesquisa também apontou que 25% dos municípios participantes não possuem mapas que identifiquem locais vulneráveis a desastres.
Os planos de contingência são instrumentos utilizados para organizar a atuação do poder público diante de situações de emergência. Eles estabelecem procedimentos, responsabilidades, formas de comunicação, rotas de evacuação e locais de acolhimento. A ausência desses mecanismos pode dificultar a resposta das equipes e a orientação da população durante eventos extremos.
Rio Grande do Sul exige atenção para os próximos meses
No Rio Grande do Sul, a preparação ganha importância diante das projeções climáticas para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027. O boletim do Painel El Niño, divulgado por órgãos como INMET, INPE e Cemaden, aponta maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul. O documento também recomenda o monitoramento contínuo das condições meteorológicas e dos possíveis riscos associados.
O cenário ocorre após novos episódios de temporais no Estado. Em Frederico Westphalen, o vendaval registrado em 4 de novembro provocou danos em residências, propriedades rurais e escolas. Os levantamentos preliminares da Defesa Civil Municipal apontaram aproximadamente 600 residências atingidas, além de prejuízos na agricultura e na infraestrutura.
Diante desse contexto, a prevenção envolve ações como identificação de áreas de risco, atualização dos planos de contingência, organização de equipes, definição de locais seguros e manutenção de canais de comunicação com os moradores. A população também deve acompanhar os alertas oficiais, conhecer os procedimentos de emergência e evitar áreas alagadas ou próximas a estruturas que possam cair durante temporais.
Fontes: Agência FAPESP; INMET; INPE; Cemaden.



